FEICOOP 2015
- Equipe Apoio
- 30 de jun. de 2015
- 7 min de leitura

FEIRA DE SANTA MARIA:
UMA EXPERIÊNCIA APRENDENTE E ENSINANTE
Santa Maria da Boca do Monte, Coração do Rio Grande do Sul – Brasil, bate mais forte e tem a imensa alegria de acolher estes grandes Eventos do Cooperativismo, da Economia Solidária e da Agricultura Familiar do Brasil, da América Latina e de outros Continentes.
Desde 1994, realizam-se importantes eventos do Cooperativismo, da Economia Solidária e da Agricultura Familiar Camponesa, em Santa Maria, RS, a Capital da Economia Solidária como “O Maior Evento de Economia Solidária da América Latina” e agora com forte articulação nos 157 anos de Santa Maria e nos 22 anos de Feira de Santa Maria: Uma Experiência Aprendente e Ensinante.
A Feira de Santa Maria, faz parte da articulação Nacional de Feiras e do Calendário Oficial da Rede COMSOL/Pontos Fixos de Comercialização Solidária. As Feiras em Rede, são coordenadas pela SENAES/MTE, IMS (Instituto Marista Solidariedade), FBES (Fórum Brasileiro de Economia Solidária), bem como os Fóruns Estaduais e Regionais. As Feiras são grandes e significativos espaços, para dar visibilidade a Economia Solidária, a Agricultura Familiar e as Políticas Públicas do Brasil.
A Feira de Santa Maria é um grande braço do FSM (Fórum Social Mundial) e é organizada por um grande Mutirão, através das Comissões de trabalho voluntário de pessoas comprometidas com os Princípios e a prática de Economia Solidária. A organização da Feira é uma grande Escola de participação, comprometimento, Democracia e Autogestão, coordenada pelo Projeto Esperança/Cooesperança da Arquidiocese de Santa Maria.
É um grande espaço de articulação, debate, troca de idéias, experiências de Comercialização Direta dos Empreendimentos Solidários da Economia Solidária, da Agricultura Familiar, das Agroindústrias Familiares, dos Catadores/as, dos Povos Indígenas, dos Trabalhadores/as do Campo e da Cidade, na Metodologia Autogestionária, do Fórum Social Mundial e na construção de “Um Outro Mundo Possível” e de “Uma Outra Economia Que Já Acontece”.
É, também, um grande espaço de articulação Nacional, Internacional e Autogestionário, onde o Trabalho e a Organização Solidária, através do FBES (Fórum Brasileiro de Economia Solidária) e dos Fóruns Regionais da Economia Solidária, estão acima do capital, motivando assim a consciência de um Comércio Justo, Consumo Ético e Solidário, no fortalecimento da Segurança Alimentar Nutricional Sustentável. Estes Eventos fortalecem as práticas e convicções importantes, como a não comercialização de produtos com aditivos químicos, agrotóxicos, nenhum tipo de refrigerante ou cerveja industrializada, e nem o consumo de cigarros, motivando o consumo de produtos Naturais, Ecológicos como sucos, caldo de cana, água potável, alimentação sadia e natural, em favor da Qualidade de Vida e Saúde dos consumidores/as. A Feira tem uma linha Editorial que sintoniza com a proposta de um Novo Modelo Econômico Solidário, Sustentável e Territorial para o cuidado da Vida no Planeta Terra.
Há, também, um grande espaço da Biodiversidade, Agroindústria Familiar, espaços Culturais sintonizados com a proposta da Economia Solidária, da Reforma Agrária, do Trabalho dos Catadores/as, dos Quilombolas, dos Povos Indígenas, dos Movimentos de Luta, de Resistência e da integração da Economia Solidária e da Agricultura Familiar.
Nesta perspectiva consciente se fortalecem as práticas de outra forma de Consumo e o Trabalho Solidário, também do uso dos bens naturais, como a Água, a Terra, a Semente e o Ar, que são os grandes “Patrimônios Universais da Humanidade”.
Este espaço oportuniza e fortalece a construção de um Novo Modelo de Desenvolvimento Solidário e Sustentável de um Novo Modelo de Sociedade: Socialmente Justa, Economicamente Viável, Ambientalmente Sadia, Organizadamente Solidária e Cooperativada, Politicamente Democrática, fortalecendo a Cultura da Solidariedade e da Paz, na certeza de que “Um Outro Mundo é Possível” e de “Uma Outra Economia que já Acontece”.
SANTA MARIA, A CAPITAL MUNDIAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA
É com especial alegria que pela 22ª vez acolhemos as inúmeras caravanas do Brasil e da América Latina para os significativos Eventos do Cooperativismo, de Economia Solidária e Agricultura Familiar. É impressionante sentir a força, coragem e o entusiasmo do povo que vem para Santa Maria participar de várias formas da Feira, que não temos mais dúvidas que é o maior Evento de Economia Solidária da América Latina e talvez até do mundo.
No final de outubro de 2014 o Papa Francisco realizou no Vaticano um Encontro Mundial inédito com os Movimentos Sociais, com a presença de mais de 100 Movimentos de 40 Países e todos os Continentes, onde ele expressava a importância da organização do povo e deu um destaque especial aos temas: “Nenhuma Família sem Casa, nenhum Camponês sem Terra, nenhum Trabalhador sem Direitos”. Com isso o Papa mostra a importância do papel da Igreja na organização do povo para encontrar saídas frente aos grandes problemas existentes no Planeta Terra.
A Feira de Santa Maria é um grande braço do FSM (Fórum Social Mundial) coordenado pelo Projeto Esperança/Cooesperança da Arquidiocese de Santa Maria, com apoio da Prefeitura Municipal de Santa Maria, Cáritas Brasileira Regional/RS, SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária), FBES (Fórum Brasileiro de Economia Solidária), IMS (Instituto Marista de Solidariedade), FGES Fórum Gaúcho de Economia Solidária, Fóruns Regionais e muitas Entidades, organizado por um grande mutirão, através das Comissões de trabalho com os Empreendimentos de Economia Solidária. A organização da Feira é uma grande Escola de participação, comprometimento, integração, Democracia Participativa e Autogestionária.
Juntamente com a Feira acontecem Conferências, Seminários, Oficinas, Debates, Caminhada Internacional e Ecumênica pela Paz e Justiça Social, Momentos Culturais, Shows, Acampamento do Levante da Juventude e outras atividades, onde as pessoas se tornam sujeitos participativos e os Empreendimentos Solidários, colocam a disposição dos Consumidores/as uma grande variedade de produtos produzidos pela Economia Solidária, Agricultura Familiar e com articulação com os consumidores/as e Entidades parceiras e apoiadoras. É um encontro festivo e solidário.
Durante a Feira, acontecem as práticas do Comércio Justo e do Consumo Ético e Solidário e as Trocas Solidárias com a Moeda Social e muitas atividades de Formação e Interação.
Na Feira não há consumo de cigarros. A água não é comercializada durante, pois a Água é um Bem Universal e um Patrimônio da Humanidade. Durante a Feira não há comercialização de refrigerantes. Os produtos são de procedência Ecológica. A linha Editorial da Feira, tem plena sintonia com a proposta. É um Evento que vale a pena. Vale mais que um curso. Trabalha com a teoria e a prática articulando o campo e a cidade e as diferentes Culturas e Etnias.
Economia Solidária: Outra Economia Já Acontece! A Feira de Santa Maria é uma Experiência Aprendente e Ensinante, que fortalece os processos participativos, organizativos, autogestionários e transformadores, fortalecendo o Modelo de Desenvolvimento Solidário, Sustentável e Territorial. Esta proposta forma sujeitos e cidadãos/as no exercício da Cidadania, fomenta Políticas Públicas, a Inclusão Social e Cidadania com a “Transformação pela Solidariedade”. A Feira de Santa Maria, como Experiência Aprendente e Ensinante, já inspirou muitas Feiras de Economia Solidária no Brasil, na América Latina e em outros Continentes. São processos participativos e multiplicadores, através das Tecnologias Sociais Aprendentes e Ensinantes.
Haverá uma justa e merecida homenagem ao Irmão Antônio Cechin, Profeta da Ecologia no trabalho pioneiro na organização dos Catadores do Rio Grande do Sul, dos 60 anos das Atividades da EMATER/RS, uma parceria significativa do Projeto Esperança/Cooesperança, dos 10 anos da Rede Justa Trama e dos 15 anos do Grupo GATS (Grupo Agroecológico Terra Sul). Haverá também destaque do Troféu Sandra Magalhães com a Premiação de 48 experiências de Boas Práticas de Economia Solidária a nível Nacional. Temos a alegria de que entre estas 48 experiências a nível Nacional, está o Projeto Esperança/Cooesperança da Arquidiocese de Santa Maria e a Nação Tutumbaiê de Itaara, também de nossa região como parte das Boas Práticas de Economia Solidária.
A PLATAFORMA DA FEIRA DE SANTA MARIA
A Feira de Santa Maria: Uma Experiência Aprendente e Ensinante, nasceu da experiência dos PACs (Projetos Alternativos Comunitários) juntamente com a Cáritas Brasileira – RS, na Arquidiocese de Santa Maria através do Projeto Esperança/Cooesperança, setor vinculado ao Banco da Esperança/Cáritas Arquidiocesana. No decorrer dos anos, a Feira foi se fortalecendo com a Economia Popular Solidária, que é a Prática dos PACs e nos últimos anos na Economia Solidária, a caminho de Políticas Públicas e o fortalecimento de construção de um novo modelo do Desenvolvimento Solidário, Sustentável e Territorial.
A Feira de Santa Maria, desde os seus primórdios quando iniciou no dia 1º de julho de 1994, no século passado, teve a perspectiva de oportunizar espaços intensos de Formação, Articulação, Comercialização Direta e troca de experiências entre os Empreendimentos de Economia Solidária do campo e da cidade. Nos anos de 1980, falar em Feira de Economia Solidária era algo impossível para muitos. O caráter da Feira, foi de buscar apoio e interação das organizações, Movimentos Sociais, Pastorais Sociais e Poder Público e a autogestão dos Empreendimentos Solidários em sintonia com as Políticas Públicas.
O papel dos Empreendimentos Solidários Urbanos e Rurais foi de grande expressão e participação. A presença e participação em todos os momentos preparatórios da realização da Feira, sempre foi muito significativo a participação das Comissões.
A Feira de Santa Maria nasceu de uma grande crise do Projeto Esperança/Cooesperança, que na época já trabalhava com Feiras e com Comercialização Direta da Economia Solidária e Desenvolvimento Solidário e Sustentável, mas com inúmeras dificuldades, no seu modelo de gestão que buscava viabilidade, com coragem e inovação.
Um dia, no gabinete do então Prefeito Municipal, houve uma reunião das lideranças do Projeto Esperança/Cooesperança e então o Prefeito perguntou: Porquê, o Projeto Esperança/Cooesperança está “murchando”, ou então está em crise? A pergunta indignou os participantes que se colocaram na luta para conhecer experiências de Comercialização Direta nos 03 Estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Não encontrando o que se sonhava, pois não havia experiência similar na época. Desde então, foi criado com o apoio da Prefeitura Municipal e da Diocese de Santa Maria o Feirão Colonial no Terminal de Comercialização Direta, espaço para esta finalidade, que em 2007 foi transformado em Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter.
Foi esta primeira Feira que deu incentivo, ânimo, coragem e Profecia, para iniciar uma Feira maior, ou seja, a Feira Regional do Cooperativismo, no início com 27 Empreendimentos de 13 Municípios e em torno de 4 mil pessoas na 1ª Feira em 1994, dia em que iniciou o Plano Real do Brasil.
Para aquele início foi o máximo que poderia acontecer em Santa Maria, com esta temática. Não havia experiência similar. Houve Feiras livres, Feiras de Produtores individuais, mas não havia Feiras de trabalhadores/as organizados na Economia Solidária, e no Cooperativismo Autogestionário, nos moldes de Economia Solidária e do Comércio Justo.
Agora, passaram-se 22 anos desde a 1ª edição da FEICOOP - Feira do Cooperativismo e podemos afirmar que esta é a maior experiência da Temática da América Latina. A grande pergunta é: para onde vai a Feira de Santa Maria? Quantas Feiras ela já inspirou no Brasil, no Mercosul, na América Latina e em outros Continentes? Muitas pessoas, Entidades, Empreendimentos Solidários e organizações vêm buscar experiências e se inspiram na Feira de Santa Maria. A troca de experiências é que fortalece a caminhada a cada ano que passa.
Vida longa para a Feira de Santa Maria: Uma Experiência Aprendente e Ensinante. É uma luta que vale a pena! Boa Feira para todos!
Para Contato: Projeto Esperança/Cooesperança
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