Para acabar com a fome e proteger o planeta
- Equipe Apoio
- 6 de out. de 2015
- 2 min de leitura
Friday, September 25, 2015 - 10:19
Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e promover uma agricultura sustentável é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da agenda global 2030, a ser adotada pelos líderes mundiais entre os dias 25 a 27 de setembro. Embora um direito humano, o direito a uma alimentação adequada e saudável é negado a 800 milhões de pessoas no mundo. Segundo a FAO, estima-se que uma em cada nove pessoas no mundo passe fome e mais de 2 bilhões de pessoas sofram com a desnutrição, ou seja, não acessam uma alimentação que forneça todos os nutrientes necessários.
O problema da fome não se trata apenas de aumentar a produção de alimentos: hoje, 1/3 dos alimentos produzidos são desperdiçados ou perdidos. Precisamos mudar o atual modelo de agricultura para uma agricultura sustentável, livre de agrotóxicos, insumos químicos e transgênicos.
Os novos objetivos reconhecem a importância das populações que vivem no campo e nas florestas no combate à fome e na preservação do planeta:
Agricultores familiares, indígenas, povos tradicionais, que são as maiores vítimas da fome e miséria no mundo, são também aqueles que produzem nossa comida, cuidam das nossas florestas, preservam a biodiversidade e a cultura alimentar.
O Brasil é um dos países que mais avançou no combate a fome. Retirou 22 milhões de pessoas da pobreza extrema e reduziu o número de pessoas com fome e desnutrição em 82,1%, no período de 2002 a 2014. Esses avanços foram fruto de mobilização e participação popular somada a vontade política para implementar medidas e programas de inclusão, acesso a renda e fortalecimento da agricultura familiar e agroecológica.
Contudo, ainda vivemos muitos desafios. Estamos perdendo nossa cultura alimentar devido à massificação de produtos industrializados, menos nutritivos, que competem e substituem alimentos frescos. Já vemos o impacto na saúde - com o aumento expressivo da obesidade e de doenças cardíacas. A agricultura e pecuária em larga escala, voltada para exportação, possui impactos ambientais profundos como desmatamento, poluição e uso intensivo de água, recursos tão preciosos. O Brasil é hoje o maior consumidor de agrotóxicos no mundo, cujos riscos e impactos na saúde já são conhecidos, além de já ser osegundo país com a maior utilização de sementes transgênicas.
Temos ainda um longo caminho para produzir alimentos saudáveis e fazer chegar à mesa de toda população. Esse caminho passa por garantir mais investimentos para agricultores familiares que produzam de forma agroecológica e sustentável, garantir o acesso à terra e aos recursos naturais para populações tradicionais, exigir os direitos dos consumidores a rotulagem de alimentos que contenham transgênicos e agrotóxicos, e transformar nossos padrões de consumo e alimentação, valorizando nossa cultura, a diversidade e preservando nossos recursos naturais.
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